Hinos gregos à Afrodite

8:19 AM

Hino de Safo a Afrodite

De flóreo manto furta-cor, ó imortal Afrodite,
filha de Zeus, tecelã de ardis, suplico-te:
não me domes com angústias e náuseas,
veneranda, o coração,
mas para cá vem, se já outrora -
a minha voz ouvindo de longe - me
atendeste, e de teu pai deixando a casa
áurea a carruagem
atrelando vieste. E belos te conduziram
velozes pardais em torno da terra negra -
rápidas asas turbilhoando céu abaixo e
pelo meio do éter.
De pronto chegaram. E tu, ó venturosa,
sorrindo em tua imortal face,
indagaste por que de novo sofro e por que
de novo te invoco,
e o que mais quero que me aconteça em meu
desvairado coração: "Quem de novo devo persuadir
ao teu amor? Quem, ó
Safo, te maltrata?
Pois se ela foge, logo perseguirá;
e se presentes não aceita, em troca os dará;
e se não ama, logo amará,
mesmo que não queira."
Vem até mim também agora, e liberta-me dos
duros pesares, e tudo o que cumprir meu
coração deseja, cumpre; e tu mesma,
sê minha aliada de lutas.
(tradução do grego por Giuliana Ragusa)


Hino Órfico 54 - A Afrodite
Celeste (Urânia), ilustre rainha de risada amorosa, nascida do mar, amante da noite, de um modo terrível; astuciosa, de quem a necessidade [Anankê] primeiro veio, senhora produtora e noturna, dama que a todos conecta; teu é este mundo para se unir com harmonia, pois todas as coisas brotam de ti, ó poder divino. Os triplos Destinos [Moiras] são regidos por teu decreto, e todas as produções se rendem semelhantemente a ti: o que quer que os céus circundem e contenham, toda a produção dos frutos da terra, e o alto-mar tempestuoso, a ti o balanço confessa e obedece a teu aceno, o atendente terrível do brumal Deus [Baco]: Deusa do casamento, charmosa à visão, mãe dos Amores [Erotes], que se delicia em banquetes; fonte de persuasão [Peitho], secreta, rainha favorável, ilustremente nascida, aparente e não-vista: esposa, lupercal, e inclinada a homens prolíficos, a mais desejada, doadora de vida, gentil: a grande portadora do cetro dos Deuses, a quem os mortais em necessidade tendem a se juntar; e toda tribo de monstros selvagens horrendos em correntes mágicas amarras, através do desejo insano. Venha, nascida em Chipre, e incline-se à minha prece, se exaltada nos céus tu brilhas, ou satisfeita com o templo em Síria presides, ou sobre as planícies egípcias teu carro guias, enfeitada de ouro; e perto dessa enchente sagrada, fértil e conhecida por fixar teu domicílio santificado; ou se rejubilando nos litorais cerúleos, próxima a onde o mar com seus rugidos espumantes ondula, os coros de mortais que circundam tuas delícias, ou as belas ninfas, com olhos de brilhante azul cerúleo, satisfeita com os bancos pardos reconhecidos de velhos, para dirigir teu rápido carro dourado de duas parelhas; ou se em Chipre com tua linda mãe, onde as mulheres casadas te louvam a cada ano, e as belas virgens se unem ao coro, o puro Adônis canta tua divindade; venha, toda atrativa, para a minha prece inclinada, a ti eu chamo, com mente sagrada e reverente.
Hino Homérico X - A Afrodite
À da Citéria, nascida em Chipre, eu cantarei. Ela dá gentis presentes aos homens: sorrisos sempre estão em seu amável rosto, e amável é o brilho que se apresenta sobre ele. Eu te saúdo, ó deusa, rainha da bem-formada Salamis e da cinta marinha de Chipre; agracia-me com uma canção de júbilo. E então me lembrarei de ti e de outra canção também.

Hino Homérico VI - A Afrodite
Canto à Afrodite imponente, bela e coroada de ouro, cujo domínio são as cidades cercadas por todo o mar de Chipre. Lá o hálito úmido do vento oeste a fez flutuar sobre as ondas do mar que geme alto em suave espuma, e lá as Horas de fios dourados deram-lhe alegremente as boas-vindas. Elas as vestiram com trajes celeste: em sua cabeça colocaram uma coroa bem tecida de ouro, e em suas orelhas furadas elas penduraram ornamentos de oricalco e ouro precioso, e adornaram-na com colares dourados sobre seu suave pescoço e seus seios brancos como a neve, jóias as quais as Horas de filetes dourados usavam elas mesmas sempre que iam à casa do pai se unirem às danças amáveis dos deuses. E, quando elas a tinham plenamente enfeitado, elas a trouxeram até os deuses, que a saudaram em boas-vindas quando a viram, dando-lhe as mãos. Cada um deles pediu para levá-la para casa e torná-la sua esposa, de tão grandemente deslumbrados com a beleza da Citéria de coroa violeta.
Saúdo-te, deusa docemente premiada, de olhos modesto! Conceda que eu possa ganhar a vitória nesta competição e dirigir a ti a minha canção. E agora eu me lembrarei de ti e outra canção também.
(traduções de Alexandra)

Hino Homérico X - A Afrodite
Ciprogênia Citereia cantarei, que aos mortais
dons melífluos concede: na desejável face
sempre sorri e percorre-lhe a flor do desejo.
Salve, Deusa, de Salamina bem-construída a guardiã
e de toda a Chipre: Concede-me a desejosa canção.
E depois também de ti lembrar-me-ei em outra canção.
(tradução de Rafael Brunhara)

Hino Homérico VI - A Afrodite
Venerável auricoroada bela Afrodite
cantarei, patrona dos muros de toda a Chipre
marinha, onde a ela fluida força de Zéfiro a bafejar
suspende às ondas do undíssono mar
em espuma suave: a ela Horas de áureos laços
acolheram e dispuseram-lhe em imorredouras vestes
e sobre fronte imortal bem feita coroa colocaram
bela, áurea: em suas orelhas perfuradas
flores de oricalco, valioso e áureo;
à volta do tenro colo e peito com luziargênteos
colares em ouro adornavam - com que até as Horas
mesmas de áureos laços estão adornadas quando vão
ao desejável coro dos deuses e à mansão paterna.
E depois que os adornos todos por seu corpo colocaram
conduzem-na aos imortais e eles a veem e saúdam
com as mãos, acolhem e cada qual roga
havê-la por esposa legítima e conduzí-la ao lar
espantados com a formosura de Citereia de coroa violácea.
Salve, de vivazes olhos Deusa doce-mel: concede-me em disputa
levar a vitória, compõe minha canção,
e depois também de ti lembrar-me-ei em outra canção.
(tradução de Rafael Brunhara)

Hino a Afrodite, de Proclus

Cantemos á linhagem daquela que nasceu 
Da espuma das ondas; 
Cantemos á real e imensa origem 
De onde partiram alados, os imortais Desejos. 
Destes, uns transpassam as almas com seus dardos 
Espirituais, e as incitam, feridas já pelo aguilhão 
Da nostalgia, a ascender até o alto, 
Buscando ardentemente o poder voltar a ver, 
Resplandecentes como a chama do fogo, 
As habitações de sua Mãe. 
Os outros, obedientes aos desejos do Pai 
E as previstas decisões que separam 
O mal do mundo, se esforça, por meio 
Da geração, em multiplicar a vida no universo infinito, 
Excitando nas almas o desejo de nascer sobre a terra. 
Há outras que incessantemente vigiam os diferentes 
Caminhos das intimas relações do matrimônio 
Para assim, conseguir que, gerando homens mortais, 
Possa de este modo construir, imortal a raça 
Dos homens, afligidos por infinitos males. 
Todos, enfim, se cansam em secundar as obras 
Da Citeréia, procriadora do Desejo. 
E quanto a ti, oh Deusa, 
- já que teu ouvido por toda ás partes está atento-, 
Seja que te estenda sobre o amplo horizonte 
Celestial e alí sejas, tal como se dizem, 
A alma divina do eterno universo; Seja que habites no seio do éter, 
Por cima das sete órbitas dos planetas, 
Derramando sobre tudo o que de ti provém. 
Infinitas energias, 
Escutá-me, e conduz, oh Venerável, 
Com a ajuda de teus impulsos mais justos, 
O penosíssimo caminho da minha dolorosa vida 
Apagando da minha alma o frio impulso 
Dos desejos não divinos! 

(Tradução de Andre Nogueira)

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