Mitos da criação - Tradição Nórdica

9:31 AM


Olá povo dos Deuses, hoje trago a vocês o mito de criação de acordo com a mitologia nórdica - a versão AEsir. Posteriormente penso em publicar a Wanen também-. Faz parte de uma sessão de postagens sobre os mitos da criação que envolvem diversas tradições pagãs do mundo. 
Espero que gostem.




Primeiro de tudo, reinava o Caos, que era o nada no universo. Sem céu, mar, nem Terra. Apenas três reinos Ginnungagap, um grande abismo vazio, Muspelhein, o reino do fogo e  Niflhein, o reino do gelo e da neblina. O nada reinava, até que as névoas de Niflheim ergueram-se lentamente das profundezas do reino e formaram um gigantesco bloco de gelo no obscuro abismo de Ginnungagap. 
De Muspellhein, uma massa de ar quente desceu até o abismo e o encontro com o frio que subia de Muspelhein causou o derretimento do bloco de gelo. A água derretida do gelo, que pingava incansavelmente deu origem a dois seres, o gigante Ymir, que não tinha consciência, sobrevivia apenas aos instintos, talvez o motivo de ser considerado mal e inferior, e a vaca Audhumbla, de cujas tetas jorravam quatro rios. Ymir se alimentava do leite de Audhumbla e esta, lambia o bloco de gelo salgado. O calor de Muspelhein não cessava de descer das alturas, fazendo Ymir suar. Seu suor uniu-se ao gelo derretido e desse suor vivificante que escorria de seus braços nasceu o primeiro casal de seres vivos e do suor de suas pernas, brotou Thrudgelmir, o progenitor da futura raça dos gigantes.
Do gelo que Audhumbla lambera, nasceu Buri, cujo filho Bor iniciou a raça dos Deuses.
Bor se casou com a giganta Bestla, e com ela teve três filhos, Odin, Vli e Vé. Até que um dia, Odin e seus irmãos resolveram de acabar com Ymir, "o perverso pai dos gigantes". E assim fizeram, destruíram Ymir e quase toda a raça de gigantes, seus filhos, que morreram afogados em seu sangue abundante, exceto Thrudgelmir e sua esposa, que fugiram para Jotunhein, a terra dos gigantes, onde continuaram sua raça, gerando muitos outros, Desde aí, os Deuses e gigantes, se tornam inimigos, mas combinaram de se estabelecer cada qual livremente em seu território, mas sempre alerta ao outro.
Dos restos do cadáver de Ymir, Odin e seus irmãos moldaram Midgard (o mundo do meio), de sua carne foi feita a terra, seus ossos e dentes, as pedras e montanhas, e seu sangue abundante escorreu pela terra gerando os rios, lagos e o mar. As larvas que brotaram de seu corpo, originaram os anões, e quatro deles tornaram-se os pontos cardeais Norðri (Nordri), Suðri (Sudri), Austri, e Vestri. Norte, sul, leste e oeste. Estes, foram postos em Svartalflhein por Odin, tornando assim, a terra dos anões escuros. Aos aqueles que tinham um meio mais nobre e puro de proceder, foram postos em Alfhein, tornando-se elfos.
O crânio de Ymir, foi erguido, dando origem ao céu, cujas nuvens são partes de seu cérebro. As faíscas do fogo de Muspelhein se tornaram estrelas e das brasas ardentes do mesmo reino, criaram o sol e a lua.
Finalmente, quando os Deuses estavam de obra pronta, avistaram dois troncos de árvore, um freixo e um olmo, de onde criaram o homem Ask, e a mulher Embla. Wotan lhes deu a vida e o alento; Vili, a inteligência e os sentimentos; e Ve, os sentidos da visão e da audição. Este foi o primeiro casal, que andou sobre a terra e originou todas as raças humanas que habitariam por sucessivas eras a Terra-Média. Depois que Midgard e os homens estavam feitos, Wotan decidiu que era preciso que os deuses tivessem também uma morada exclusiva para si, e decidiram criar Asgard, o mundo de cima, dos Deuses. E, por fim, se tem os nove reinos:
  • Mannheim (Midgard), o mundo dos homens. 
  • Godheim (Asgard), o mundo dos Æsir
  • Vanaheim, o mundo dos Vanir
  • Helheim, o mundo dos mortos. 
  • Svartalfheim, o mundo dos anões ou elfos escuros. 
  • Ljusalfheim, o mundo dos elfos de claros.
  • Jotunheim, o mundo dos gigantes de rocha e de gelo ( Jotuns ). 
  • Niflheim, o mundo de gelo eterno. 
  • Muspelheim, o mundo de fogo.

Cada reino corresponde a um galho -ou raiz- da árvore celestial de Yggdrasil, que liga todos os nove entre si. Entretanto, se na mais alta das regiões estava situado o paraíso daquele soberbo universo, nas profundezas da terra, muito abaixo de Midgard, estava o Niflheim, o horrível e gelado reino dos mortos. Lá pontificava a sinistra deusa ú, filha de Loki, que se regozija Com a fome, a velhice e a doença, e que tem ao lado a serpente Nidhogg. Esta se alimenta dos cadáveres dos mortos e se dedica a roer continuamente uma das raízes da grande árvore Yggdrasil, um freixo gigantesco que se eleva por cima do mundo e deita suas raízes nos diversos reinos, entre os quais, o próprio Asgard. Ao alto da copa frondosa desta imensa árvore, sobrevoa uma gigantesca águia, que vive em guerra aberta contra a serpente Nidhogg. Um pequeno esquilo - Ratatosk -, que passa a vida a correr desde o alto da Árvore da Vida até as profundezas onde está a terrível serpente, é o leva-traz dos insultos que estas duas criaturas se comprazem em trocar sem jamais esgotar seu infinito estoque de injúrias.
Nesta árvore fundamental, diz a lenda que o próprio Wotan esteve pendurado durante nove longas noites, com uma lança atravessada ao peito, para que pudesse aprender o significado oculto das Runas, o alfabeto nórdico, que rege e governa a vida dos deuses e dos homens. Quando seu martírio terminou, Wotan havia se tornado, definitivamente, o mais poderoso e sábio dos deuses, tendo o poder de curar doenças e de derrotar os inimigos com sua poderosa lança, Gungnir - ao mesmo tempo, sua mais poderosa arma e local de registro de todos os seus acordos.
Yggdrasil é o centro do mundo, e, enquanto suas raízes continuarem a suportar o peso de seu prodigioso tronco e de seus ramos infinitos, o mundo estará firme e a vida será soberana, sob os auspícios de Wotan, senhor dos deuses.

Texto auxiliar encontrado no site  Templo de Apolo



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